«O futuro não o descobrimos como Cristóvão Colombo descobriu a América. Não temos que descobri-lo, temos que o inventar. O homem só se define pelo seu futuro, pelos seus possíveis. (…)
O homem é olhar em frente, é movimento para diante. Para modificar o mundo: não a predição do futuro, mas sim a invenção do porvir. (…)
O ser humano nasce com o aparecimento do projecto. (…)
(…) o futuro que o homem concebe exerce uma influência eficaz sobre o presente que por ele é construído.»
Roger Garaudy
«Que é o homem? É uma pergunta como tantas outras que nos interpelam, quer na vida diária, quer na investigação científica. Perguntamos pelo mundo e pelas coisas, pela matéria e pela vida, pela sua essência e pelas suas leis. Que é tudo isto e qual é o seu sentido? E que é o homem? É uma questão entre muitas outras. No entanto ela reveste características muito especiais, dado que afecta o próprio homem que interroga.
No acto de perguntar ele mesmo é posto em questão.
O homem interroga-se a respeito da sua própria essência. Sente-se impelido a formular esta pergunta porque ele constitui um problema para si mesmo. (…)
Mas pôr a questão (pelo facto de nos dizer respeito) implica já uma primeira resposta: o homem é quem interroga. É aquele que pode perguntar e tem de perguntar.
Isto só o homem pode fazer. A pedra, a planta, o animal, não são dotados desta capacidade. Vivem mergulhados na apatia de uma existência que não se põe em questão. Nem o animal, apesar de perceber o mundo que o rodeia, é capaz de perguntar. Permanece ligado ao dado concreto de um determinado fenómeno sem conseguir distanciar-se em relação a ele de modo a poder interrogar-se acerca das razões ocultas. O que se lhe mostra permanece indiscutível.
O animal fica aquém da capacidade de perguntar. Só o homem se encontra imerso na possibilidade e necessidade de interrogar. É esta a característica própria da sua maneira de ser. Mas que espécie de ser é este que, ao contrário de todos os outros, possui como característica peculiar a capacidade e a necessidade de perguntar? Que espécie de ser é este que no próprio acto de perguntar se torna objecto de interrogação e se sente constrangido a pôr a questão da sua própria essência: o que é o homem?
Só o homem é capaz de se interrogar acerca da sua própria essência. Isto é certo: nada mais, nem nenhum outro ser vivo no mundo é capaz de o fazer. Todo o ser vivo (à excepção do homem) tem uma existência inconsciente e por conseguinte alheia a qualquer problema. Não possui a capacidade de se interrogar acerca da sua própria essência. Só ao homem é dado perguntar por tudo e até por si mesmo, pela sua própria essência. Deste modo transcende o que a realidade lhe oferece de imediato.»
E. Coreth
